Camilo afirma que irá defender aliança na sucessão de Fortaleza

Por Paulo Sergio 28/12/2019 - 09:03 hs

Assim como o prefeito Roberto Cláudio (PDT), o governador Camilo Santana (PT) quer empurrar para 2020 as discussões a respeito das eleições. Entretanto, o chefe do Executivo voltou a defender uma parceria entre PT e PDT em Fortaleza para o embate do ano que vem, em entrevista aos veículos do Sistema Verdes Mares. 

Ele sabe das dificuldades desta empreitada, mas assegura que vai buscar um entendimento entre as legendas que andam com relações estremecidas no âmbito local. 

“Eu vou defender (a parceria entre PT e PDT). Eu acho que nós temos muito mais coisas que nos unem do que nos separam. Fortaleza tem uma especificidade grande, mas acho que tudo se constrói através do diálogo”, ressaltou. A especificidade à qual Camilo se refere é o fato de a Capital ser o principal território de desejo dos dois partidos.

Por esse motivo, a tarefa de Camilo, de unir as duas siglas para a disputa de 2020 em Fortaleza, não será nada fácil. 

Alguns nomes já são apontados para a disputa municipal. Entre os cogitados no PT, destacam-se dois: o do presidente do diretório municipal, vereador Guilherme Sampaio, e o da ex-prefeita da Capital e deputada federal Luizianne Lins – crítica aos irmãos Ferreira Gomes, líderes do PDT, e ao prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, que são aliados do governador. 

Já no PDT, cogita-se, por hora, a possibilidade de indicação do secretário de Governo Municipal, Samuel Dias e do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, deputado José Sarto. 

Diante do difícil cenário, Camilo pondera: caso não seja possível construir uma parceria em torno de um nome para a sucessão de Roberto Cláudio, as alternativas e posicionamentos ficarão mesmo para o ano que vem. “Se nós não conseguirmos através do diálogo essa construção, nós vamos avaliar”, cogita.

Outros territórios

Com a proximidade do pleito do próximo ano, Camilo também terá dificuldades de formar unidade na sua ampla base de apoio em outros territórios. O problema, nesses casos, extrapola as relações entre o PDT e o PT. 

Em diversos municípios do interior, prefeituras são disputadas por diferentes grupos políticos que formam a base de alianças do governador. 

Somente na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, ele tem apoio de 38 dos 46 deputados. Ou seja, apenas oito são da oposição.

Para citar exemplos, Tauá é um dos municípios disputados por dois aliados: o grupo liderado por Audic Mota (PSB) e Domingos Filho (PSD). Apesar de aliados do governador, há uma disputa paroquial no Sertão dos Inhamuns.

Caso ainda mais complexo é o de Iguatu. Lá, o número de aliados que desejam disputar a Prefeitura do município é maior. Até o momento, três nomes aparecem entre os cogitados: o do atual prefeito, Ednaldo Lavor (PSD), Mirian Sobreira, que deve trocar o PDT pelo PT, e o do deputado estadual Agenor Neto (MDB), que deve mudar para o PSB. 

Sobre esses impasses, o governador do Ceará salienta que irá avaliar caso a caso com os líderes políticos. 

“Nesses municípios, nós vamos avaliar cada caso e ver como será a nossa participação, se terá ou não. Vamos ver onde dá para unificar, onde dá para fazer consenso. Mas sempre respeitando cada um”, salienta Camilo.

DN